Discussão: Não há coincidências, há propósitos.
- integralizablog
- 20 de dez. de 2025
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Nesse relato emocionante, encontramos um exemplo típico de empatia, quando a aluna consegue se identificar completamente com o sentimento do paciente. E o mais interessante é que durante a discussão do caso com a professora, a aluna considera as orientações como lições para si mesma. A prática médica eficaz vai além da técnica, incluindo a compreensão empática das crenças e necessidades dos pacientes, em busca de aumentar a satisfação e o bem-estar deles. A empatia, que envolve aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais, é essencial para o estabelecimento da relação médico-paciente.
Além da empatia, vemos nesse caso como a espiritualidade tem um papel fundamental na condução do paciente, quando a crença em uma energia superior, seja qual for o nome dado a ela, é fundamental para conduzir a discussão.
A influência da religião e da espiritualidade nos cuidados de saúde é cada vez mais reconhecida. Profissionais da área de saúde frequentemente trabalham com pacientes impactados por doença, sofrimento e perda, e estes buscam nos médicos não apenas tratamento para seus problemas físicos, mas também para suas necessidades emocionais ou espirituais. O impacto da espiritualidade e religiosidade na competência cultural dos estudantes de Medicina tem sido estudado, revelando que aspectos religiosos contribuem para a gestão do estresse e para o atendimento centrado no paciente. Atividades que promovam o bem-estar e a abertura espiritual afetam significativamente a empatia dos estudantes de Medicina, enfatizando a importância desse treinamento.
Uma triste realidade é que o treinamento em empatia e a relação saúde-espiritualidade não são preocupações das escolas médicas, que valorizam primordialmente a formação técnica, visando a identificação e tratamento das “doenças do corpo” e esquecendo por completo das “doenças da alma”. Infelizmente não existe a preocupação durante a formação médica de que o atendimento seja centrado na pessoa e não na doença. E as consequências disso são catastróficas: profissionais que muitas vezes nem sequer olham nos olhos da pessoa que está sentada ali na sua frente, precisando muitas vezes apenas de um olhar e de uma escuta acolhedora.
Incorporar empatia e abertura à espiritualidade na educação médica é crucial. É clara a necessidade de programas de formação e suporte que abordem essas práticas de maneira integrada, contribuindo para um atendimento mais humanizado, visando o bem estar tanto do paciente como do profissional de saúde, que também é beneficiado nessas circunstâncias.
REFERÊNCIAS
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