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MJ E A LIÇÃO DA FAMÍLIA: MUITO ALÉM DA CONSULTA CLÍNICA

  • integralizablog
  • 7 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Em uma sexta-feira, dia comum de aula da professora Suelly, da disciplina Saúde do Adulto, como era de praxe, cheguei à unidade. Nesse momento, houve conversas e orientações sobre os atendimentos do dia. Logo após, entrei na sala de atendimento e a sensação de algo novo e desafiador tomou conta de mim, e acho que eu tinha razão. Eu e meu colega de classe ficamos responsáveis pelo atendimento de MJ, uma senhora de 61 anos, que acabei chamando logo em seguida. Quando ela se sentou à nossa frente, percebi que aquela consulta não seria apenas um exercício de prática clínica, mas também uma experiência de vida.


MJ transparecia boas energias, o que tornou a anamnese, digamos que, mais leve. Hoje, foi apenas uma consulta de rotina, onde ela referiu uma lombalgia que já estava sendo acompanhada e o encaminhamento ao ortopedista já estava marcado. Mesmo assim, ficou claro para mim que meu papel não se resumia apenas a coletar informações técnicas, mas também enxergar a pessoa como um todo. No início, o peso da responsabilidade me deixou um pouco apreensivo. Afinal, uma pessoa que me via pela primeira vez precisava que eu transmitisse confiança e sensibilidade. Aos poucos, porém, esse nervosismo deu lugar a uma serenidade, impulsionada pela forma simples de MJ.


No decorrer da consulta, percebi que, apesar de não ser alfabetizada, ela tinha a disciplina de um bom aluno. Mantinha um controle rigoroso da glicemia, checando seus níveis todas as manhãs. Controlava também sua hipertensão com o mesmo zelo, aquilo me impressionou. Era uma prova de que a força de vontade pode superar barreiras que, à primeira vista, pareceriam intransponíveis. Mas penso que o que mais me tocou foram as suas preocupações. Apesar de dormir relativamente bem, MJ explanou que tinha episódios de insônia relacionados à saúde de sua mãe. Uma senhora já idosa, hipertensa e que é o alicerce de sua vida, provendo um lar e apoio financeiro. Enquanto falava sobre a mãe, não pude evitar a comparação com a minha própria, também pilar da minha família. Pensei nas vezes em que precisei me ausentar de casa para estar em Lagarto, dedicando-me à universidade, e no aperto que sinto quando sei que ela não está bem.


A dor de MJ, embora diferente da minha, ressoava em mim de maneira muito intensa. No fim, aquilo me tocou de um jeito que percebi que a família é o maior elo que temos. Foi essa rede de apoio que sustentava MJ e que também fortalecia outro paciente atendido em outra disciplina, cujo único suporte era o carinho dos familiares. Percebi, então, que o amor familiar é a coisa mais valiosa. Ao término do atendimento, surgiu uma vontade de fazer uma ligação para a minha mãe, ouvir a voz dela e explanar o quanto a sua presença é essencial na minha vida. MJ não me mostrou só sobre saúde, mas também me mostrou a importância de valorizar cada instante ao lado de quem amamos.


Autor: Emanuel Barreto Santos

 
 
 

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